Seleção Natural

Um dos princípios centrais da biologia evolutiva é o conceito de que a evolução é cega, ou seja, não tem previsão ou objetivo.

A evolução é simplesmente uma mudança na genética de uma população ao longo do tempo, e a seleção natural é um entre vários mecanismos que fazem com que a frequência com que certos genes aparecem na população mude, ou seja, que a evolução ocorra.

A seleção natural pode ser explicada tendo como base dois pilares: variação hereditária para uma característica e seleção para essa característica. Em outras palavras, em qualquer população há variação para uma característica (por exemplo, nem todos os indivíduos têm a mesma altura) e essa variação muitas vezes acaba sendo hereditária (por exemplo, indivíduos altos tendem a produzir descendentes altos).

Essa variação pode afetar a aptidão para sobrevivência e reprodução (indivíduos altos podem conseguir mais alimentos, o que lhes dá mais energia, o que os deixa produzir mais descendentes), de modo que certos traços são selecionados porque os indivíduos com determinadas características produzem mais descendentes do que indivíduos sem essas características. Como resultado, os genes para a característica benéfica serão mais comuns na próxima geração. Assim, a população evoluirá, porque sua composição genética mudará.

A evolução age apenas em populações, não em indivíduos. Indivíduos simplesmente não podem evoluir. Para constatar mudança evolutiva temos que comparar as frequências dos genes, e se só o que temos é um indivíduo sozinho, não há com o que compará-lo.

“Aptidão” refere-se à capacidade de passar genes para a próxima geração, não à força física, velocidade, beleza, carisma ou o que quer que seja.

A sobrevivência é importante apenas na medida em que dá ao indivíduo mais tempo para produzir descendentes, e há muitas espécies de vida curta que têm uma aptidão evolutiva alta. Por exemplo, existem espécies de polvos onde as fêmeas morrem depois de depositar sua primeira e única ninhada de ovos. Eles têm uma sobrevivência mais baixa, mas uma alta aptidão.

Por que a evolução é cega?

Geração após geração, ela adapta as populações ao ambiente atual, mas se esse ambiente mudar, então uma adaptação que tenha sido útil por milhares de gerações pode ser, repentinamente, prejudicial.

Digamos, por exemplo, que tenhamos um grupo de pássaros que comem sementes que são mantidas em pequenas dobras das plantas. Os pássaros que tiverem bico pequeno e fino conseguirão chegar às sementes. Portanto, em cada geração, as aves com os bicos mais adequados para alcançar as sementes obtêm a maior quantidade de alimento e produzem o maior número de filhotes. Então, por muitas gerações, a evolução molda os bicos das aves para se encaixar nas dobras das plantas.

No entanto, pode ser que em um ano haja uma seca maciça, e todas as plantas das quais as aves normalmente obtêm sementes morrem, mas outras espécies com sementes grandes e espessas sobrevivem. Agora, os bicos delicados, que eram tão úteis, mostram-se prejudiciais, e os bicos mais grosseiros, que não eram tão eficientes, são úteis.

Isso significa que as aves que antes teriam uma aptidão muito alta, agora conseguirão menos alimento, que pode culminar em menos descendentes. Já as aves de bico grosso, que antes tinham uma aptidão baixa, de repente terão uma aptidão alta. É isso que entendemos por “evolução é cega”.

Também é importante notar que não existe realmente algo como “mais evoluído”, porque a evolução não tem direção. Os chimpanzés não são, por exemplo, mais evoluídos do que as bactérias. Os chimpanzés são certamente mais complexos e, certamente, acumularam mais mudanças genéticas, mas não são “mais evoluídos”. Tanto os chimpanzés quanto as bactérias estão bem adaptados aos seus ambientes atuais, e isso é tudo que a evolução faz: adapta as populações aos seus ambientes.

Pense desta maneira: um chimpanzé morreria em ambientes onde muitas bactérias se desenvolvem, como cones vulcânicos submarinos, e as bactérias especializadas nesse tipo de meio morreriam na floresta tropical do chimpanzé. Ambos são altamente adaptados para seus ambientes, mas nenhum deles é mais evoluído que o outro.

Um dos melhores exemplos vivos que temos disso é o de peixes que vivem em cavernas escuras, desprovidas de luz, e são cegos. Estes peixes têm olhos que não funcionam e que, muitas vezes, estão recobertos por uma camada de pele. Têm simulacros de olhos, mas não veem.

peixe cego

Fonte:http://revistaquestaodeciencia.com.br/questionador-questionado/2019/02/11/o-que-e-selecao-natural

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