Notícia: Uma nova ferramenta para rastrear incêndios na Amazônia (23/08/2020)

No sul da Amazônia, a estação seca normalmente começa em julho e continua até novembro, trazendo consigo o aumento da atividade de fogo. Após um aumento notável na atividade de incêndios em agosto de 2019 e um aumento gradual no desmatamento ao longo de vários anos, uma equipe de cientistas da NASA e da Universidade da Califórnia tem observado de perto sinais de como a temporada de 2020 pode se desenvolver. Vários sinais preocupantes surgiram.

Em maio e junho de 2020, as altas temperaturas da superfície do Oceano Atlântico apontaram para um risco maior de seca em partes importantes da floresta amazônica. Sistemas de rastreamento de desmatamento por satélite também observaram grandes manchas de floresta tropical sendo arrasadas nos últimos meses, sugerindo que há bastante madeira seca preparada para queimar. Por fim, os especialistas alertaram que as condições econômicas e os incentivos atuais tornam o desmatamento mais provável.

Mas há pelo menos uma boa notícia: pesquisadores desenvolveram novas ferramentas que tornarão mais fácil para os governos e outras partes interessadas entenderem que tipos de incêndios estão queimando, onde estão queimando e quanto risco esses incêndios representam para a floresta tropical. A ferramenta baseada em satélite, baseada na Web, classifica rapidamente os incêndios em uma das quatro categorias : desmatamento, incêndios em baixo nível, pequenos incêndios e incêndios agrícolas, incêndios em savana/pastagens. A ferramenta foi disponibilizada na web em 19 de agosto de 2020.

A ferramenta de análise de fogo já está trazendo uma nova clareza e visão para a temporada de incêndios de 2020. Em julho, o Brasil anunciou uma proibição de 120 dias contra incêndios na floresta amazônica; foi apresentado como um esforço para limitar os danos ecológicos dos incêndios neste ano. No entanto, a análise de incêndios liderada pela NASA indica que tem havido uma proliferação de incêndios em pontos-chave de desmatamento nos estados do Pará, Mato Grosso e Amazonas no sul da Amazônia.

A imagem foi obtida pelo Moderate Resolution Imaging Spectroradiometer (MODIS) no satélite Aqua da NASA em 1 de agosto de 2020. Grandes plumas de fumaça são outro indicador de incêndios de desmatamento, já que a queima de material lenhoso gera mais energia do que a queima de grama; plumas de fumaça de lenha sobem mais alto na atmosfera e se espalham mais a favor do vento

1 de agosto de 2020

Esta nova abordagem fornece transparência sem precedentes sobre o número e tipo de queimadas individuais em toda a região amazônica. O algoritmo do computador analisa as imagens de satélite para as características de incêndios individuais, a fim de separá-los em quatro tipos. Os incêndios de desmatamento, por exemplo, normalmente têm maior potência radiativa do fogo, uma medida baseada em satélite de quanta energia um incêndio libera. O algoritmo também leva em consideração a atividade de desmatamento anterior antes de categorizar um incêndio, uma vez que o processo de queima pode levar vários anos para remover completamente o material lenhoso de novas pastagens ou áreas de cultivo. Os fogos de savana, por outro lado, queimam menos intensamente e tendem a se espalhar rapidamente à medida que carbonizam áreas gramadas e pastagens.

O painel coleta detecções de incêndio diurnas e noturnas dos sensores VIIRS nos satélites Suomi-NPP e NOAA-20. Os dados de cobertura do solo vêm do MODIS e do Landsat. E os dados sobre a localização do desmatamento recente vêm do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) do Brasil, que utiliza vários satélites para identificar essas áreas.

“Esperamos que esta ferramenta empurre a conversa para além da confusão em torno da temporada de incêndios de 2019”, disse Morton. “Os satélites detectam um grande número de incêndios na América do Sul todos os anos, mas nem todos esses incêndios são de igual importância.” “Ao fornecer mais informações sobre tipos de incêndio e locais em tempo real, esperamos que este painel dê aos tomadores de decisão melhores informações necessárias para gerenciar e responder a incêndios.”

A temporada de incêndios na Amazônia geralmente se intensifica em agosto e atinge o pico em setembro e outubro. “Parece que estamos caminhando para uma situação comparável a 2019, ou ainda pior”, disse Paulo Brando, ecologista terrestre da Universidade da Califórnia, que ajudou a desenvolver o painel. “Além da área desmatada em 2020, temos mais de 4.000 quilômetros quadrados de florestas desmatadas de 2019 que ainda não foram queimadas. Uma grande preocupação é que se uma seca severa se desenvolver e tornar as florestas tropicais mais inflamáveis, em breve poderemos ver um dos piores desastres ambientais na Amazônia durante o século 21 ”.

Clique aqui para explorar o painel da Amazônia e baixar os dados mais recentes.

Fonte: https://earthobservatory.nasa.gov/images/147075/a-new-tool-for-tracking-amazon-fires

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